Arquitetura inclusiva: um manual de acessibilidade na construção civil

Sala simbolizando a arquitetura inclusiva.

A construção civil passa por evoluções constantes, então é essencial acompanhar as tendências para a construtora conseguir se manter relevante e competitiva no mercado. Por exemplo, um conceito que ganha cada vez mais espaço é a arquitetura inclusiva, que é essencial para desenvolver uma sociedade mais acessível.

Assim, é importante aprender sobre o tema para adaptar os projetos e a execução das obras na construtora, garantindo a adequação ao conceito de inclusão dos empreendimentos. Quer saber mais?

Então continue a leitura deste conteúdo e confira um manual completo sobre a arquitetura inclusiva e como implementá-la na construtora. Vamos lá?

O que é arquitetura inclusiva?

A arquitetura inclusiva se refere a um modelo de atuação, ao desenvolvimento de produtos e projetos que trazem um olhar voltado à acessibilidade de maneira ampla. Nesse caso, é considerada a diversidade das pessoas, fazendo com que as construções sejam feitas de modo a atenderem a todos, independentemente de sua fase da vida ou limitações.

Ou seja, ela se diferencia da acessibilidade simples, que consiste em trazer alternativas diferenciadas para tornar locais acessíveis, enquanto separam as possibilidades de uso. Para entender melhor, imagine a arquitetura inclusiva como aquela que segue um projeto universal.

Não é preciso considerar vários espaços para atender às diferentes demandas das pessoas. Ele é desenvolvido para que cada detalhe consiga se adequar ao uso de todos. É isso que promove a inclusão, fazendo com que todos os indivíduos sejam acolhidos pelo projeto.

Como o conceito surgiu?

É interessante entender como o conceito surgiu para conseguir compreender mais sobre a sua relevância na construção civil. Nesse contexto, primeiro é importante conhecer o conceito de homem-padrão.

Ele consiste em um modelo humano que seria utilizado como base para desenvolver diferentes produtos, equipamentos e projetos. Para tanto, era considerado um homem jovem, em plenas capacidades físicas e mentais. Então ele traz um padrão sobre os corpos, como altura e peso, e outros detalhes que influenciam no dia a dia das pessoas.

Entretanto, a realidade é bem diferente, sendo que existe uma diversidade de características que cada indivíduo pode apresentar. Como consequência, o uso do homem-padrão para basear os projetos gera situações em que outras pessoas ficam excluídas.

Para solucionar a questão, começaram a surgir os projetos de acessibilidade, que traziam adaptações para atender mais pessoas. Porém, isso também promovia certa exclusão, já que traziam espaços e equipamentos diferentes para cada um.

Diante disso, surgiu o conceito de desenho universal. A partir da percepção sobre as limitações que o modelo do homem-padrão trazia aos projetos, houve uma mudança no foco, que passou a considerar o desenvolvimento de projetos de forma que todos pudessem ter o mesmo acesso.

O conceito foi ganhando forma a partir de estudos da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA. A área de arquitetura da instituição passou a desenvolver o desenho universal, definindo métodos e princípios que os projetos devem observar para promover a inclusão e atender a todos os indivíduos.

Por que ele é tão importante?

A partir da história da arquitetura inclusiva, é possível perceber sua relevância. Afinal, ela busca criar projetos únicos que possam se adequar às diferentes necessidades das pessoas, promovendo um uso de maneira igualitária. O motivo é que, muitas vezes, as soluções apresentadas exigem medidas específicas que podem promover a exclusão.

Se uma pessoa precisa utilizar outro caminho para chegar ao mesmo local que os demais, mesmo que ela tenha acessibilidade, ela ainda estará excluída. Portanto, apesar de a arquitetura inclusiva ter esse foco em tornar espaços acessíveis, há um diferencial importante: a inclusão social.

Além disso, quando os projetos são feitos pensando nesse conceito universal, eles se tornam mais duráveis. Por exemplo, ao construir uma casa considerando os elementos da arquitetura inclusiva no projeto, há menos chances de que a família precise realizar reformas para adaptar os espaços a necessidades diferentes, como restrições de mobilidade.

Desde crianças até idosos conseguem usufruir do espaço em segurança, inclusive pessoas com deficiência. Dessa maneira, o design escolhido se mantém adequado com o passar dos anos, promovendo segurança e conforto para a família em diferentes momentos.

Em espaços públicos e imóveis comerciais o conceito se torna ainda mais relevante, já que eles devem atender a diversas normas de acessibilidade. Porém, quando há uma preocupação em relação à inclusão, é possível entregar diferenciais aos seus clientes, que terão mais destaque no mercado ao adotar uma postura inclusiva.

Como projetar espaços mais inclusivos?

Após entender mais sobre o conceito e a importância da arquitetura inclusiva, é hora de descobrir como aplicá-la em seus projetos. Para tanto, existem alguns pontos essenciais que devem ser observados, como:

1. Adote o urbanismo inclusivo

Um tema com grande relação com a arquitetura inclusiva é o urbanismo inclusivo. Ele se aplica aos projetos relacionados à cidade, considerando espaços públicos, vias e outros locais para garantir condições adequadas de habitação para todos.

Homem utilizando cadeira de rodas em calçada simbolizando a arquitetura inclusiva

Assim, os projetos urbanos também devem considerar os conceitos de acessibilidade e maior inclusão, empoderando todas as pessoas que compõem a comunidade. Assim, o conceito não se limita apenas aos imóveis construídos, mas a todos os projetos que envolvam áreas utilizadas pela população.

2. Aplique o desenho universal

Outro ponto de atenção em relação a arquitetura inclusiva é o desenho universal, que você já conhece.

Entrada de prédio representando a arquitetura inclusiva.

Na prática, ele prevê a observância de 7 princípios que compõem esse conceito e permitem que todos os projetos, incluindo estrutura, acabamentos e mobiliário, sejam mais inclusivos. Veja só!

Igualitário

O uso dos espaços e objetivos deve ser equiparável. Isso significa que pessoas com diferentes capacidades devem ter as mesmas possibilidades de utilizá-los. Por exemplo, garantir que para ativar um interruptor ele estará ao alcance das mãos de usuários com diferentes alturas.

Adaptável

O design utilizado deve ser flexível, considerando diferentes habilidades e preferências que podem ser apresentadas pelo indivíduo. Por exemplo, considerar a adaptação a pessoas destras e canhotas ou permitir ajustes de altura em um móvel.

Óbvio

A utilização dos espaços ou itens que o compõem deve ser simples e intuitiva, sem margens para interpretações equivocadas. A ideia é que qualquer indivíduo compreenda como fazer o uso correto, independentemente de conhecimentos específicos, níveis de concentração ou habilidades de linguagem — como a leitura.

Conhecido

Nesse princípio, a intenção é que todas as informações passadas sejam de fácil percepção por qualquer pessoa, incluindo quem fala outras línguas, tem dificuldades de audição ou visão, entre outros fatores.

Seguro

O projeto deve ter como foco a redução de riscos envolvidos em seu uso, de modo que também seja tolerante ao erro. Isso significa que ele deve prever formas de reduzir as possíveis consequências de ações acidentais ou não intencionais no espaço. Um exemplo comum é o sensor do elevador, que evita que a porta feche enquanto alguém entra.

Sem esforço

Essa é uma dica importante: os projetos devem pensar em itens de baixo esforço físico, que também promovam economia de energia e fácil manipulação. Revestimentos com limpeza facilitada, torneiras com alavanca e outras soluções do tipo são importantes, pois permitem o uso eficiente e com conforto.

Abrangente

Por fim, o projeto deve ser abrangente, considerando a dimensão e o espaço para aproximação e uso. O projeto deve promover a boa circulação, o alcance, a fácil manipulação e o uso, considerando diferentes posturas, mobilidade, tamanho e outros.

3. Avalie as particularidades do projeto

Certamente, cada projeto tem suas particularidades que podem não ter aplicações para todos os princípios. Por isso, também há a necessidade de ter um olhar crítico e humanizado para identificar as situações em que o desenho universal precisa ser observado considerando os sete requisitos e quais são mais flexíveis.

Quarto decorado simbolizando a arquitetura inclusiva.

Por exemplo, em obras particulares, como uma casa para moradia, alguns fatores podem não ser necessários por não existir a necessidade de sinalização e placas, por exemplo. Já em empresas e áreas públicas, é mais comum que os sete princípios sejam necessários para garantir uma obra realmente inclusiva.

4. Considere as diversas dimensões da obra

Por fim, é importante considerar todas as etapas e detalhes da obra, desde a estrutura do imóvel até a mobília que será utilizada. Para facilitar, vale recorrer a softwares que permitem fazer simulações considerando as diferentes necessidades englobadas pelo desenho universal. Dessa maneira, é possível entregar projetos diferenciados, inclusivos e que se alinhem às necessidades do cliente.

Quais são os principais desafios da arquitetura inclusiva no Brasil?

Também é interessante conhecer alguns desafios comuns da arquitetura inclusiva no Brasil. Afinal, a partir desse aprendizado é possível estabelecer estratégias, buscar formas de superar as barreiras e aumentar a aplicação desse conceito nas obras.

O principal ponto é a mudança da mentalidade das pessoas, como resultado da cultura do país e do mundo. É normal que surjam dificuldades para entender a relevância desses projetos, por exemplo, preferindo optar pelos modelos tradicionais.

Nesse cenário, cabe aos profissionais da área auxiliar na conscientização, para que a arquitetura inclusiva passe a ser o novo padrão. Assim, é possível garantir uma sociedade cada vez mais focada na acessibilidade de inclusão social, promovendo conforto e autonomia para todos.

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