Resíduos da construção civil: o que são e qual seu impacto no meio ambiente?

Em trecho da obra, notebook e papéis simbolizam o cuidado com os resíduos da construção civil.
Área de construção.

Você já parou para avaliar os impactos dos resíduos da construção civil? O setor é um dos responsáveis pela maior geração e descarte de detritos, o que pode afetar o meio ambiente de diferentes formas. Logo, quem atua na área precisa se conscientizar sobre o tema e adotar práticas voltadas à sustentabilidade.

Isso exige se aprofundar e conhecer a legislação específica sobre o assunto, bem como a importância de ter uma postura que beneficie o meio ambiente. A partir disso, é possível melhorar a postura da empresa ao lidar com os resíduos gerados.

Para esclarecer o assunto, preparamos este conteúdo para mostrar o que são os resíduos da construção civil e como eles afetam o meio ambiente. Ainda, mostraremos como combater o problema. Vamos lá?

O que são resíduos sólidos?

Lixeira representando os resíduos da construção civil e os resíduos sólidos do contexto no trecho.

Para começar, é preciso conhecer o conceito de resíduos sólidos. Essa definição foi feita em diversas normas brasileiras, ajudando a regulamentar o tema e as práticas que devem ser observadas pelos agentes envolvidos nas etapas de geração e descarte desses materiais. Primeiro, vale destacar a Lei n.º 12.305/20210.

De acordo com o artigo 3º, XVI, eles englobam qualquer material, objeto, substância ou bem descartado que seja resultado das atividades humanas na sociedade. Ainda, a destinação final deve acontecer no estado sólido ou semissólido, em gases contidos em recipientes ou líquidos cujo descarte não possa acontecer na rede pública de esgoto ou em corpos d’água.

O mesmo vale nos casos em que é necessário ter uma solução técnica ou economicamente inviável. Vale destacar que essa lei é de aplicação obrigatória, compondo a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Ela foi criada para complementar a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) — Lei n.º 6.938/1981.

O que são resíduos da construção civil?

Em complemento, é preciso conhecer a Resolução nº 307/2002 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Ele traz o conceito de “resíduos da construção civil“, sendo assim considerados aqueles que surgem em construções, reformas, reparos e demolições de obras.

Eles também podem ser resultado da preparação de escavação de terrenos, também sendo chamados de entulhos, caliça ou metralha. Em regra, eles podem envolver materiais como:

  • tijolos, concreto em geral, blocos cerâmicos e telhas;
  • madeiras e compensados;
  • metais, plásticos, vidros;
  • colas, tintas e resinas;
  • tubulações e fiação elétrica;
  • pavimento de asfalto e solo;
  • argamassa, gesso e forro.

Além disso, vale conhecer as diferentes classificações aplicadas aos entulhos da construção civil. Elas também são previstas na resolução 307 do CONAMA. Entenda mais a seguir:

Classe A — resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados

Ele engloba aqueles de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação, edificação e obras de infraestrutura. Também trata dos processos de fabricação ou demolição de peças de concreto que são feitas nos canteiros. São aqueles mais comuns quando se pensa nas intervenções do setor construtivo.

Classe B — resíduos recicláveis para outras destinações

A classe B engloba os materiais recicláveis que possuem outras destinações entram nessa classificação, englobando papel, papelão, plástico, vidros, madeira, metais e gesso.

Imagem simbolizando os resíduos da construção civil e recicláveis.
Resíduos recicláveis.

Classe C — resíduos cuja reciclagem ou recuperação não é viável

Já na classe C ficam os resíduos gerados que ainda não contam com tecnologias ou aplicações visando recuperação ou reciclagem que sejam viáveis em larga escala devido às limitações econômicas.

Classe D — resíduos perigosos oriundos do processo de construção

Por fim, há a classe D, criada para classificar produtos perigosos que fazem parte do processo construtivo. Ainda, envolve itens contaminados ou prejudiciais à saúde, que podem ser originados em clínicas radiológicas, indústrias e outros. Em geral, engloba tintas, solventes, objetos com amianto e demais resíduos que sejam nocivos.

Quais são os principais fatores geradores dos resíduos sólidos?

Conhecendo o conceito dos resíduos sólidos, fica mais fácil identificar os seus fatos geradores. Primeiro, há o destaque para as obras em geral, com construções, reformas, demolições etc. No entanto, existem fatores relacionados que podem colaborar com a sua geração, como uso de materiais com vida útil reduzida ou de má qualidade.

Imagem de construção simbolizando os resíduos da construção civil.

Quando não se pensa em durabilidade e nas necessidades de descarte, é possível que aconteça um aumento na geração de resíduos. O mesmo acontece quando as práticas construtivas não buscam ações adequadas que reduzam os impactos na natureza. Veja outros exemplos que podem colaborar com a geração de resíduos:

  • superprodução, quando são preparados mais materiais do que será necessário, gerando descarte;
  • perdas de processamento, que acontecem quando acontecem erros na aplicação e outros problemas, como quebra de tijolos;
  • defeitos construtivos que demandam reformas ou, até mesmo, a demolição;
  • desastres naturais.

Quais são os impactos dos resíduos sólidos da construção civil na natureza?

Após se familiarizar com o conceito e detalhes relacionados, é hora de reforçar as maneiras como os resíduos sólidos podem impactar a natureza. Na verdade, os entulhos afetam o meio ambiente de diversas formas e por motivos variados. Confira uma lista com as principais informações:

  • os resíduos sólidos da construção equivalem a mais da metade dos resíduos gerados nas cidades;
  • eles geram impactos sanitários, que podem prejudicar a drenagem urbana ou comprometer o tráfego;
  • os problemas no descarte podem aumentar a existência de vetores patológicos, incluindo fungos, vírus, bactérias, ratos e baratas;
  • maior poluição do ar pela exposição dos entulhos a natureza, especialmente diante de problemas de descarte;
  • contaminação do solo, quando não são observadas as classificações específicas para adoção de boas práticas de descarte;
  • aumento no volume de lixo gerado pela população.

Ainda, há a degradação ambiental que resulta de todas as questões citadas acima. Vale lembrar também dos impactos da própria construção civil, como consumo de recursos naturais e alterações no meio ambiente onde foram obtidas as matérias primas necessárias.

Como as construtoras devem lidar com os resíduos sólidos?

A Resolução 203 do CONAMA determina que os geradores dos resíduos têm responsabilidades que devem ser observadas. Para começar, é preciso ter como objetivo prioritário não gerar resíduos. Porém, sabendo que nem sempre isso é possível, a empresa também deve considerar as seguintes práticas:

  • redução;
  • reutilização;
  • reciclagem;
  • tratamento;
  • e disposição final adequada dos rejeitos.

Inclusive, em relação aos resíduos da construção civil, eles não podem ser dispostos em qualquer local. Há a vedação expressa em relação ao descarte nos seguintes lugares:

  • aterros urbanos;
  • áreas de “bota fora”;
  • encostas;
  • corpos d’água;
  • lotes vagos;
  • áreas protegidas por lei.

E para garantir uma boa destinação, a resolução traz práticas que devem ser observadas considerando a classificação de cada resíduo. Logo, após a triagem, a construtora deve seguir estes critérios:

  • classe A: devem ser reutilizados ou reciclados, enviados para aterros específicos para esses resíduos, possibilitando o uso futuro;
  • classe B: seguem as mesmas regras da classe A com o diferencial de que o encaminhado é feito para áreas de armazenamento temporário;
  • classe C e classe D: devem seguir normas técnicas específicas.

Logo, municípios, estados e órgãos específicos é que regulamentam as normas que são aplicadas em diversas situações. Portanto, cabe à empresa pesquisar as leis que se aplicam em sua região, já que podem existir variações conforme a localidade.

Como aplicar soluções inteligentes para combater o problema?

Como visto, as construtoras têm um papel fundamental na gestão dos resíduos sólidos e, consequentemente, na preservação ambiental. Nesse sentido, vale a pena conhecer soluções inteligentes que auxiliem na resolução dos diferentes problemas existentes. Uma delas é rever os processos de construção, especialmente em relação ao controle da superprodução.

Encontrar meios de otimizar os cálculos sobre o total necessário para evitar as sobras ajuda na redução de resíduos, enquanto promove maior economia. Outra dica importante é contar com o reaproveitamento de resíduos. Eles podem ser utilizados com diversas finalidades, como produção de britas e areia, reaplicação em obras sustentáveis, entre outros.

Obra com os resíduos da construção civil, máquinas e pessoa responsável pelo projeto observando a tarefa.

Para tanto, é preciso estabelecer políticas na empresa que promovam uma boa gestão de resíduos. Então é necessário analisar profundamente as leis para garantir que todos os detalhes exigidos serão observados. Ademais, vale adotar práticas como:

  • capacitar os colaboradores e parceiros sobre como fazer o manejo e segregação de produtos;
  • promover treinamentos para evitar desperdícios, inclusive os gerados por erros de corte, quebras de materiais etc.;
  • mantenha medições de obra frequentes para acompanhar se o uso de materiais está adequado;
  • entenda as práticas de reciclagem que são possíveis para garantir a destinação correta;
  • adote medidas sustentáveis no dia a dia, inclusive por meio da busca de fornecedores que apliquem a reciclagem e outras medidas de preservação ambiental.

Como você viu, os resíduos sólidos da construção civil trazem diversos impactos ambientais. Sendo assim, vale a pena adotar práticas de aproveitamento e reciclagem, além de buscar meios de reduzir a geração de entulho. Dessa maneira, é possível adotar uma posição mais sustentável.

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